No Brasil, a agenda ESG amadureceu rápido. O problema é que o mercado amadureceu em velocidade diferente da capacidade de provar, com critério técnico e linguagem comum, que um produto ou serviço é realmente sustentável. Durante muito tempo, a discussão ficou presa entre marketing verde, exigências pulverizadas de compradores e múltiplas certificações desconectadas.
A ABNT NBR 20250 é a norma que organiza, no Brasil, a avaliação da sustentabilidade de produtos e serviços com base em ciclo de vida, cadeia de valor, indicadores e governança. Mais do que uma referência técnica, ela se tornou a base normativa do Programa Selo Verde Brasil, criando um novo patamar para empresas que precisam provar desempenho sustentável com critério, rastreabilidade e credibilidade.
A Nova Indústria Brasil recolocou a política industrial no centro da estratégia econômica do país. E isso muda muito mais do que a relação entre governo e indústria. Muda a lógica de investimento, os critérios de competitividade, o acesso a financiamento, a prioridade de cadeias produtivas e o peso da sustentabilidade dentro da estratégia empresarial.
A Taxonomia Sustentável Brasileira representa uma mudança estrutural na forma como o mercado brasileiro trata sustentabilidade, investimento e credibilidade econômica. Durante muito tempo, o país operou sem uma régua nacional clara para definir, com critério técnico, quais atividades, ativos e projetos realmente poderiam ser tratados como sustentáveis.
Ambiental
- Pablo Aguirre
Entre todos os temas ambientais da NBR 20250, a biodiversidade talvez seja o mais estratégico para o contexto brasileiro. Não só porque o Brasil ocupa posição singular em diversidade biológica, mas porque o tema biodiversidade hoje está diretamente ligado a risco regulatório, reputação, acesso a mercados, exigências de cadeia de suprimentos e legitimidade da narrativa ESG. A norma reconhece isso de forma muito clara. A seção 5.7 é a mais extensa do bloco ambiental e trata biodiversidade não como apêndice, mas como eixo de gestão abrangente, conectando monitoramento, metas, design de produto, desmatamento ilegal, fornecedores, áreas naturais, transparência, conscientização e participação em iniciativas setoriais e globais. É uma leitura muito mais madura do que aquela visão antiga de biodiversidade como “compensação ambiental”. A norma começa exigindo que a organização identifique e monitore as áreas e atividades relacionadas à produção do produto ou prestação do serviço que impactam a biodiversidade, utilizando...
- Pablo Aguirre
Poucos temas mostram tão claramente a diferença entre discurso e gestão quanto o uso de recursos naturais. Quase toda empresa afirma que quer “usar recursos de forma consciente”. O problema é que essa frase, sozinha, não vale quase nada. A NBR 20250 trata esse assunto de forma muito mais exigente. Na seção 5.6, ela orienta a organização a identificar e monitorar as fontes de consumo de recursos naturais relacionadas à produção, distribuição e comercialização do produto ou serviço, mantendo um controle que contenha indicadores de desempenho para cada tipo de recurso. Esse detalhe é decisivo: a norma não quer apenas compromisso. Ela quer medição, avaliação, metas, treinamento, conscientização, circularidade e relato de resultados. É exatamente aí que o tema deixa de ser narrativa e passa a ser gestão. O primeiro movimento que a norma exige é o mapeamento do consumo de recursos. E aqui “recurso” deve ser entendido de forma...
- Pablo Aguirre
Durante muito tempo, a discussão sobre toxicidade ficou restrita ao ambiente fabril. A empresa olhava para substâncias perigosas dentro da produção e tratava o tema como questão de segurança operacional e conformidade química. A NBR 20250 amplia esse enquadramento. Na seção 5.5, a norma organiza a toxicidade como tema ambiental que atravessa não apenas o processo produtivo, mas também as matérias-primas, os insumos, a distribuição e a comercialização do produto ou serviço. Essa ampliação é estratégica, porque aproxima a toxicidade da lógica de cadeia de valor e do ciclo de vida, dois conceitos centrais da norma e do Programa Selo Verde Brasil. A seção 5.5 começa pela base: a organização deve identificar e monitorar as fontes de emissão de substâncias tóxicas relacionadas à produção, incluindo materiais, substâncias químicas e processos; estabelecer objetivos para a redução da emissão; implementar medidas para minimizar exposição; assegurar armazenamento, uso e descarte adequados; e explorar...
- Pablo Aguirre
Se existe um ponto da NBR 20250 em que a agenda ambiental conversa claramente com estratégia de negócio, design de produto, cadeia de valor e políticas públicas, esse ponto é o tratamento dado a resíduos sólidos e economia circular. A seção 5.4 da norma não enxerga resíduo apenas como “material que sobrou” e precisa ser descartado. Ela trata resíduos como tema de gestão, prevenção, circularidade, logística reversa e responsabilidade ampliada ao longo da produção, da distribuição e da comercialização. Essa abordagem é importante porque desloca o debate da destinação final para o centro do modelo de operação. Em vez de perguntar apenas “para onde o resíduo vai?”, a norma induz perguntas mais maduras: “como ele foi gerado?”, “como pode ser evitado?”, “como pode voltar ao ciclo?”, “como a cadeia participa disso?” O primeiro comando da norma é relativamente clássico, mas indispensável: a organização deve identificar as fontes de geração de...
- Pablo Aguirre
Tema 1 ABNT NBR 20250 Se a empresa quer entender rapidamente onde está o coração operacional da dimensão ambiental da NBR 20250, a resposta está nos três primeiros blocos da Seção 5: efluentes líquidos, emissões para a atmosfera e uso da energia. Esses temas formam o núcleo duro da prontidão ambiental porque lidam diretamente com fluxos físicos do processo produtivo, intensidade de impacto, eficiência operacional e, em muitos setores, conformidade regulatória. Eles não esgotam a dimensão ambiental da norma, mas frequentemente são o ponto em que a maturidade ambiental da organização fica mais visível. E, para uma jornada de preparação ao Selo Verde Brasil, são temas que dificilmente podem ser tratados de forma superficial, já que o programa e a norma se apoiam em verificabilidade, ciclo de vida e avaliação de conformidade. O bloco de efluentes líquidos é um bom exemplo de como a norma sai do discurso e entra...
Social
- Pablo Aguirre
Poucos temas expõem tanto a diferença entre discurso e realidade quanto direitos trabalhistas. É comum encontrar empresas com códigos de ética bem escritos, campanhas internas bem elaboradas e relatórios ESG sofisticados, mas com baixa capacidade de demonstrar, na prática, como previnem trabalho infantil, combatem trabalho forçado, asseguram liberdade de associação ou lidam com equidade salarial. A ABNT NBR 20250 traz esse problema para o centro da sustentabilidade ao dedicar a seção 6.3 aos direitos trabalhistas e exigir não apenas políticas, mas medidas concretas, alinhamento legal, observância de convenções internacionais e, especialmente, transparência. Essa combinação é uma das áreas em que as empresas mais falham em auditoria. O item 6.3 é bastante abrangente. A norma orienta a organização a adotar medidas para prevenir, identificar e erradicar práticas de trabalho forçado, escravo ou compulsório, buscando assegurar que todos os trabalhadores das operações e cadeias de suprimento sejam empregados voluntariamente e possam deixar...
- Pablo Aguirre
Durante muito tempo, a participação comunitária foi tratada como um apêndice das estratégias de sustentabilidade. Algo útil, mas não essencial. Esse olhar já não se sustenta. Em programas de certificação e gestão sustentável, especialmente em iniciativas como o Selo Verde Brasil, o vínculo com o território passa a ser componente estruturante da credibilidade, da legitimidade e da efetividade das ações. Um novo papel para as comunidades Quando uma empresa atua em determinado território, ela não opera em vazio. Ela influencia rotinas, mobilidade, emprego, renda, percepção de risco, uso do solo e dinâmica social. Por isso, qualquer programa sério de sustentabilidade precisa considerar as comunidades locais como parte do diagnóstico, da construção de soluções e da avaliação de resultados. Isso vale ainda mais quando a iniciativa pretende medir impacto de forma verificável e associar desempenho a certificação. Sem escuta territorial, a sustentabilidade corre o risco de se tornar tecnicamente correta, mas...
- Pablo Aguirre
Em muitas empresas, condições de trabalho ainda são tratadas como um tema “interno”, restrito ao RH, ao jurídico trabalhista ou à área de saúde e segurança. A ABNT NBR 20250 muda esse enquadramento de forma muito clara. Ao colocar condições de trabalho e direitos trabalhistas dentro da Seção 6, dedicada a diretrizes sociais e de direitos humanos, a norma demonstra que esse tema é parte integrante da sustentabilidade de produtos e serviços. Ou seja: não basta ter uma operação ambientalmente eficiente se essa mesma operação funciona com fragilidade em salário justo, contratos formais, dignidade no ambiente laboral, acesso a água potável e segurança ocupacional. A sustentabilidade, aqui, não é só ecológica. Ela é também humana. A seção 6.2 da norma organiza bem essa lógica. Ela orienta que a organização deve assegurar que os trabalhadores operem em condições seguras e saudáveis, com acesso a instalações adequadas de higiene, segurança e conforto....
- Pablo Aguirre
Durante muito tempo, temas como assédio moral e assédio sexual foram tratados por muitas empresas como assunto exclusivo de RH, reputação interna ou gestão disciplinar. A ABNT NBR 20250:2026 muda esse enquadramento. Ao dedicar a seção 6.1 ao tema assédio, a norma deixa claro que esse não é apenas um problema de clima organizacional. É um tema de sustentabilidade social, direitos humanos, proteção do trabalhador e governança. Isso é muito relevante porque mostra que uma organização não pode se apresentar como sustentável se não consegue prevenir, identificar, tratar e evidenciar sua resposta a condutas abusivas no ambiente de trabalho. A lógica da norma é bastante direta. Ela orienta que a organização deve proibir explicitamente todas as formas de assédio no local de trabalho, incluindo assédio moral, sexual, psicológico e outros comportamentos abusivos. Também orienta a implementar políticas e procedimentos claros para prevenir, identificar e lidar com casos, assegurando que todos...
- Pablo Aguirre
Tema 14 ABNT NBR 20250:2026 Respeito a comunidades locais e comunidades tradicionais não é um tema periférico do ESG. É uma das bases mais sensíveis da relação entre empresa, território e legitimidade social. Muitas organizações ainda tratam esse assunto como parte da gestão de reputação, da comunicação institucional ou do relacionamento comunitário. Mas isso é insuficiente. Respeitar comunidades não significa apenas evitar conflito; significa reconhecer direitos, compreender contextos e construir presença de forma responsável. No contexto do ESG, esse tema mostra se a empresa entende que território não é vazio. Ele já é ocupado por histórias, vínculos, conhecimentos, modos de vida e formas próprias de organização social. Quando a organização entra em um território sem reconhecer isso, o risco de ruptura aumenta. Quando entra com escuta, preparo e governança, a chance de construir relações duradouras cresce. A ABNT PR 2030 reforça que a dimensão social da sustentabilidade envolve interação responsável...
Econômico
- Pablo Aguirre
Tema 22 ABNT NBR 20250:2026 Viabilidade econômica costuma ser tratada como a pergunta final de qualquer decisão empresarial: faz sentido financeiramente ou não? No contexto do ESG, porém, essa pergunta precisa ser reformulada. Não se trata apenas de saber se uma iniciativa cabe no orçamento, mas se ela sustenta valor, reduz risco, melhora eficiência e aumenta a capacidade de a empresa permanecer competitiva no tempo. Quando o tema é visto dessa forma, viabilidade econômica deixa de ser um filtro de aprovação e passa a ser uma lente de estratégia. Muitas empresas ainda enxergam ESG como algo que compete com a rentabilidade. O raciocínio parece simples: se há investimento em sustentabilidade, necessariamente há aumento de custo. Essa visão é limitada. Em muitas situações, o custo de não fazer é maior do que o custo de implementar. Passivos regulatórios, perdas operacionais, ineficiências, rupturas de cadeia, acidentes, conflitos e perda de reputação podem...
- Pablo Aguirre
Tema 21 ABNT NBR 20250:2026 Conformidade legal e respeito pelas convenções internacionais de comportamento costumam aparecer, em muitas empresas, como itens formais de compliance. A organização verifica se está dentro da lei, revisa políticas internas, atualiza contratos e registra treinamentos. Isso é importante, mas não suficiente. No contexto do ESG, esse tema representa muito mais do que obediência normativa: ele mostra se a empresa atua com integridade real, previsibilidade institucional e coerência entre o que comunica e o que pratica. A ABNT NBR 20250 estabelece diretrizes gerais de sustentabilidade aplicáveis a produtos e serviços, com ênfase em medidas verificáveis e na minimização de impactos ao longo do ciclo de vida. Já a ABNT PR 2030 ajuda a estruturar a agenda ESG em termos de maturidade, governança, risco e evolução organizacional. Juntas, essas referências deixam claro que conformidade não pode ser vista apenas como ausência de infração. Ela precisa ser entendida...
- Pablo Aguirre
Tema 20 ABNT NBR 20250:2026 Demanda por recursos costuma ser tratada como uma variável técnica de produção. Água, energia, matéria-prima, insumos críticos, solo, biomassa, logística e capacidade operacional entram na conta como elementos de custo e disponibilidade. Mas essa leitura é limitada. No contexto do ESG, a demanda por recursos revela o quanto a empresa depende de sistemas finitos, o quanto sua operação pressiona o território e o quanto está preparada para enfrentar escassez, volatilidade e transição. Esse tema é especialmente importante porque muitas empresas ainda focam apenas no volume consumido e pouco na lógica dessa demanda. Elas monitoram consumo, negociam contratos e buscam eficiência, mas não necessariamente fazem a pergunta mais importante: essa demanda é sustentável no tempo? É eficiente em relação ao resultado gerado? E está alinhada com os limites ambientais, sociais e econômicos do território onde a empresa atua? A ABNT PR 2030 reforça que sustentabilidade empresarial...
- Pablo Aguirre
Tema 19 ABNT NBR 20250:2026 Qualidade do produto ou serviço costuma ser tratada como uma pauta de operação, marketing ou atendimento ao cliente. Mas, no contexto do ESG, ela é muito mais do que isso. Qualidade é uma expressão concreta da capacidade da empresa de entregar valor de forma consistente, segura, responsável e confiável. Quando um produto ou serviço falha, a empresa não perde apenas eficiência. Ela perde confiança. Essa leitura é importante porque muitas organizações ainda enxergam qualidade apenas como controle final ou redução de defeitos. Em termos estratégicos, porém, a qualidade diz respeito ao desenho da operação, à disciplina dos processos, à integridade da cadeia de fornecimento, à escuta do cliente e à capacidade de responder ao longo do tempo. Em outras palavras, qualidade não é um departamento. É um comportamento organizacional. A ABNT PR 2030 reforça que a maturidade ESG depende de práticas consistentes, monitoramento contínuo e...
Notícias
Entenda como a Braskem lidera o Selo Verde Brasil e o impacto da NBR 20250 na certificação de produtos sustentáveis.
Crédito do BNDES acelera a indústria verde no Brasil, impulsiona a descarbonização e posiciona o país na economia de baixo carbono com foco em ESG.
Congresso da Nova Indústria Brasil impulsiona investimentos de R$ 370 bilhões do BNDES e reforça a agenda ESG, inovação e competitividade industrial no país.
Fundos de pensão intensificam exigência de critérios ESG no Brasil. Entenda como isso impacta acesso a capital, governança e competitividade das empresas.
Novo observatório vai monitorar os impactos da transição energética no Brasil. Entenda o que muda para empresas, ESG, competitividade e o Selo Verde Brasil.
O BNDES anunciou a disponibilização de R$ 10 bilhões em linhas de crédito voltadas à indústria 4.0 e à produção de bens de capital verde no Brasil. O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, anunciou nesta sexta-feira, 27, R$ 10 bilhões em duas linhas de crédito do programa BNDES Mais Inovação, no âmbito da...
Entenda o impacto da redução do imposto de importação para centenas de produtos e o que isso revela sobre a nova estratégia industrial e ESG no Brasil.
A Nova Indústria Brasil entra em uma nova fase O Brasil está reforçando sua estratégia de reindustrialização com um movimento que vai muito além do discurso. A ampliação de recursos destinados à Nova Indústria Brasil (NIB), destacada pela Confederação Nacional da Indústria, representa um avanço concreto na tentativa de reposicionar o país em um cenário global cada vez mais orientado...
Entenda como a implementação do Selo Verde Brasil está avançando em 2026 e o que muda para empresas, certificações ESG e acesso a mercados.
O 1º Encontro Anual de 2026 do Sinduscarne, realizado na FIEMG, mostrou com clareza algo que o setor de carnes não pode mais ignorar: sustentabilidade deixou de ser discurso e virou critério de acesso a mercado – especialmente no comércio internacional. O protagonismo do SeloVerde‑MG no evento é um sinal concreto dessa virada de chave. Mais do que uma iniciativa...
Nova certificação reforça a agenda ESG no agronegócio brasileiro O governo brasileiro deve colocar em vigor, até junho de 2026, um novo programa de certificação sustentável voltado para o setor cafeeiro. A iniciativa, conhecida como Selo Verde para o café, surge como mais um movimento concreto de integração entre produção agrícola e práticas ESG, respondendo a uma demanda crescente de...
Regra técnica voltada a polímeros de eteno de fonte renovável inaugura etapa operacional do programa e reforça a aposta do governo em critérios verificáveis de sustentabilidade Brasília — O Programa Selo Verde Brasil deu um passo relevante em sua fase de implementação com o lançamento da primeira norma técnica setorial da iniciativa, voltada à produção de polímeros de eteno de...


