Programa Selo Verde Brasil

No Brasil, a agenda ESG amadureceu rápido. O problema é que o mercado amadureceu em velocidade diferente da capacidade de provar, com critério técnico e linguagem comum, que um produto ou serviço é realmente sustentável. Durante muito tempo, a discussão ficou presa entre marketing verde, exigências pulverizadas de compradores e múltiplas certificações desconectadas.

É exatamente nesse vazio que o Programa Selo Verde Brasil entra. Instituído pelo Decreto nº 12.063, de 17 de junho de 2024, o programa organiza um arranjo nacional que conecta política pública, normas técnicas da ABNT, certificação acreditada pelo Inmetro e apoio institucional do MDIC, ABDI e Sebrae. Em janeiro de 2026, a ABNT publicou a NBR 20250 como norma-base do programa; em março de 2026, o MDIC lançou a primeira norma setorial e informou que alumínio e vidro plano são as próximas frentes em desenvolvimento.

O ponto central é este: o Selo Verde Brasil não foi desenhado para ser apenas mais um rótulo. Ele foi concebido para virar referência técnica de mercado, capaz de dar comparabilidade, rastreabilidade e credibilidade à sustentabilidade de produtos e serviços brasileiros — inclusive com potencial de apoiar compras públicas sustentáveis e inserção competitiva em cadeias globais.

1. O que é o Programa Selo Verde Brasil

O Programa Selo Verde Brasil é a política federal que estrutura diretrizes nacionais para normalização e certificação de produtos e serviços sustentáveis. A coordenação é do MDIC, a elaboração normativa é feita pela ABNT e a certificação depende de organismos de avaliação da conformidade acreditados pelo Inmetro. A adesão é voluntária.

Na prática, o programa cria um idioma técnico comum para o mercado. Em vez de cada setor, comprador ou cadeia adotar uma definição própria do que é “sustentável”, o Selo Verde Brasil busca harmonizar critérios, reduzir fragmentação, aumentar confiança e facilitar a comercialização de produtos e serviços com atributos verificáveis de sustentabilidade.

Essa é a razão pela qual o tema interessa muito além da área ambiental. O programa toca estratégia industrial, acesso a mercados, compras sustentáveis, finanças sustentáveis, cadeia de suprimentos, compliance, reputação e governança corporativa.

2. Onde o Programa está hoje

Até 26 de março de 2026, a trajetória oficial do programa pode ser resumida assim:

  • 17 de junho de 2024: o Decreto nº 12.063 instituiu o Programa Selo Verde Brasil no âmbito federal.
  • 12 de agosto de 2024: o MDIC formalizou o Comitê Gestor e o Comitê Consultivo, dando tração operacional e institucional ao programa.
  • 27 de janeiro de 2026: a ABNT publicou a NBR 20250:2026, a norma-mãe do Selo Verde Brasil.
  • 20 de março de 2026: o MDIC lançou a primeira norma setorial, voltada a polímeros de eteno de fonte renovável.
  • 26 de março de 2026: o MDIC informou que estão em elaboração as normas setoriais de chapas laminadas de alumínio e vidro plano, com consulta nacional prevista para abril.

Esse cronograma mostra algo importante: o Selo Verde Brasil já não está no campo da intenção política. Ele entrou na fase de execução normativa e setorial. Para o mercado, isso significa que a conversa mudou de “será que vai acontecer?” para “como me preparo antes que a exigência comercial chegue?”.

3. Objetivos oficiais do Programa

Segundo o Decreto nº 12.063/2024, o Programa tem como objetivos centrais:

  • Elaborar diretrizes nacionais para normalização e certificação de produtos e serviços sustentáveis.
  • Aumentar a qualidade e a competitividade de produtos e serviços brasileiros no mercado interno e externo.
  • Estimular a economia verde, a neoindustrialização e a economia circular.
  • Reduzir custos e complexidade, evitando múltiplas certificações desconectadas.
  • Reforçar transparência, inclusão social, geração de renda e valorização da economia verde.

Na prática, o Programa pretende ser, para o mercado interno, o que vários rótulos verdes já são na União Europeia e em outros países: uma referência oficial, pública e reconhecida de desempenho sustentável verificável.

4. O que o mercado precisa entender de uma vez por todas

Antes de entrar nos detalhes técnicos, cinco pontos que evitam erros de interpretação muito comuns:

  1. O Selo Verde Brasil não é um “score ESG” da empresa inteira
    O programa foi desenhado para produtos e serviços. A empresa precisa ter maturidade organizacional para sustentar a certificação, mas o objeto do selo é o produto ou serviço avaliado — não uma nota genérica de ESG corporativo.
  2. A NBR 20250 não certifica sozinha
    A NBR 20250 é a base técnica geral: diz o que precisa ser observado em sustentabilidade ao longo do ciclo de vida. As normas setoriais é que detalham os critérios concretos para cada categoria de produto ou serviço. Sem essa leitura, muita empresa vai errar o diagnóstico e achar que basta “atender à norma-mãe”. Não basta.
  3. O Selo não é autodeclaração
    O desenho oficial prevê certificação por terceira parte, com organismos acreditados pelo Inmetro. Isso eleva a credibilidade do selo porque tira a sustentabilidade do campo da promessa e a leva para o campo da evidência auditável.
  4. Sustentabilidade aqui não significa só “ambiental”
    A NBR 20250 trata de efluentes, emissões, energia, resíduos, substâncias tóxicas, recursos naturais e biodiversidade. Mas trata também de assédio, condições de trabalho, direitos trabalhistas, diversidade, inclusão, desenvolvimento local, comunidades tradicionais, compras locais, inclusão de MPMEs, compliance, canais de denúncia, anticorrupção, transparência e integração de riscos ESG nas decisões. Quem ler o programa como “selo verde ambiental” vai entender pouco do que está acontecendo.
  5. A norma não substitui lei
    A própria ABNT deixa claro que seus documentos são voluntários e não substituem leis, decretos ou regulamentos. Na NBR 20250, o cumprimento de requisitos legais aplicáveis ao produto ou serviço aparece como condição básica de gestão da sustentabilidade. Conformidade legal não é bônus: é piso.

5. A base técnica: o que a NBR 20250 realmente exige

A ABNT NBR 20250:2026 estabelece diretrizes gerais de sustentabilidade aplicáveis a produtos e serviços para orientar três movimentos: minimizar impactos negativos e maximizar impactos positivos nas dimensões ambiental, social e econômica; verificar a sustentabilidade de produtos e serviços; e fortalecer compras públicas sustentáveis.

Diretrizes gerais

O coração da norma está nas diretrizes gerais. A organização deve:

  • Identificar, avaliar e monitorar aspectos de sustentabilidade do produto ou serviço sob seu controle ou influência.
  • Aplicar o conceito de ciclo de vida ao longo da cadeia de valor.
  • Considerar respostas das partes interessadas.
  • Documentar critérios de avaliação e justificar aspectos não aplicáveis.
  • Cumprir requisitos legais e estabelecer objetivos de sustentabilidade mensuráveis.
  • Monitorar o progresso com indicadores de desempenho.

A norma ainda recomenda o uso de plataforma chancelada pelo Governo Federal para verificação e rastreabilidade, inclusive com possibilidade de lastro em notas fiscais eletrônicas ao longo da cadeia.

Diretrizes ambientais

No eixo ambiental, a NBR 20250 cobre sete grandes frentes: emissão de efluentes líquidos, emissões para a atmosfera, uso da energia, gerenciamento de resíduos sólidos, emissão de substâncias tóxicas, uso de recursos naturais e uso da biodiversidade. Em todas elas a lógica é parecida: identificar fontes de impacto, medir, definir objetivos e metas, adotar tecnologias e processos mais limpos, envolver fornecedores e parceiros e ampliar a circularidade ao longo do ciclo de vida.

Diretrizes sociais e de direitos humanos

Aqui está uma das maiores contribuições da norma para o mercado brasileiro. A NBR 20250 coloca no mesmo nível da agenda técnica temas como proibição e tratamento de assédio, condições de trabalho, contratos formais, água potável, saúde e segurança ocupacional, liberdade de associação, prevenção de trabalho infantil e análogo ao escravo, igualdade de remuneração, diversidade, equidade, inclusão, geração de trabalho e renda, desenvolvimento local e respeito a comunidades locais e tradicionais.

Isso empurra a sustentabilidade para além da fábrica e obriga a empresa a olhar seriamente para as relações humanas e para toda a cadeia de suprimentos.

Diretrizes econômicas e governança

A norma não abre um capítulo isolado chamado “governança”, mas a governança aparece o tempo todo: em compras locais, desenvolvimento regional, inclusão de MPMEs, proteção de valor e propriedade intelectual, qualidade do produto ou serviço, eficiência no uso de recursos, conformidade legal, licenças, tributos, LGPD, política de compliance, canal de denúncias, anticorrupção, transparência e integração de critérios ESG nas decisões de investimento.

Na NBR 20250, governança não é discurso. É estrutura de decisão, controle e evidência.

A matriz de verificação: o detalhe que muitos vão subestimar

O Anexo A traz uma matriz de verificação com marcação de atendimento “sim”, “não” ou “parcial”, vinculando seções da norma, justificativas e itens de norma setorial. Isso é mais do que um apêndice: é a ponte entre interpretação normativa, preparação documental e auditoria. Empresas que começarem por essa matriz tendem a avançar muito mais rápido do que aquelas que tratam o Selo apenas como projeto de comunicação.

6. Como o Selo funciona na prática

Voluntário, setorial e baseado em normas

A adesão ao Selo Verde Brasil é voluntária: empresas escolhem buscar a certificação para determinado produto ou serviço. O Selo pode ser aplicado a qualquer setor (primário, secundário ou terciário), desde que o produto ou serviço cumpra os critérios mínimos de sustentabilidade definidos nas normas ABNT aplicáveis ao segmento.

Certificação de terceira parte acreditada

O Selo Verde Brasil não é autodeclaração. Ele é concedido por organismos de avaliação da conformidade acreditados pelo Inmetro, que verificam se o produto ou serviço cumpre a norma ABNT aplicável. A certificação é, portanto, rastreável e auditável, o que aumenta a credibilidade junto a mercados nacionais e internacionais.

O fluxo operacional em quatro etapas

Etapa 1 — Diagnóstico de elegibilidade e materialidade técnica
Definir qual produto, serviço ou linha do portfólio faz sentido priorizar, onde há norma aplicável ou em elaboração e onde o ganho competitivo é maior.

Etapa 2 — Leitura normativa e tradução operacional
Converter a NBR 20250 e a norma setorial em requisitos de processo, dados, controles, compras, contratos, engenharia, RH, qualidade e logística.

Etapa 3 — Matriz de evidências e rastreabilidade
Montar a matriz de verificação, indicadores, bases documentais, registros operacionais e mecanismos de rastreabilidade da cadeia de valor. A própria NBR recomenda plataforma de verificação e rastreabilidade chancelada pelo Governo Federal.

Etapa 4 — Avaliação de conformidade e manutenção
Submeter o produto ou serviço ao processo de certificação por terceira parte e transformar a sustentabilidade em rotina de gestão, não em esforço pontual de auditoria.

7. O que muda para as empresas na prática

A empresa que quiser se posicionar bem para o Selo Verde Brasil terá de sair da lógica de áreas isoladas. O programa obriga integração real entre departamentos:

  • Engenharia: design, materiais, energia, resíduos e circularidade.
  • Suprimentos: origem, localidade, MPMEs, rastreabilidade e requisitos contratuais.
  • RH e compliance: trabalho decente, assédio, canais de denúncia, DEI e direitos trabalhistas.
  • Operações: consumo de recursos, emissões, efluentes e qualidade.
  • Financeiro e estratégia: viabilidade econômica, riscos ESG e posicionamento comercial.

Esse é o ponto que transforma o Selo Verde Brasil em agenda de direção, e não só de sustentabilidade. A empresa precisa tomar decisões melhores, provar melhor e vender melhor.

8. Exemplos práticos por setor

Mineração e metalurgia

A norma setorial para chapas laminadas de alumínio está em elaboração, com consulta nacional prevista para abril de 2026. Para empresas dessa cadeia, a preparação não começa quando a consulta pública sair: começa agora, com mapeamento de energia, sucata e conteúdo reciclado, emissões, origem de insumos, saúde e segurança, condições de trabalho de terceiros e rastreabilidade dos fornecedores críticos.

Indústria química e embalagens

A primeira norma setorial lançada foi a de polímeros de eteno de fonte renovável. Para fabricantes dessa cadeia, o diferencial estará em demonstrar, com evidência verificável, o uso de matéria-prima renovável, a coerência do ciclo de vida, a gestão de resíduos, a eficiência energética, a qualidade do produto e os controles sociais e de governança associados à produção.

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Logística e serviços

Como a NBR 20250 se aplica também a serviços, uma operadora logística pode estruturar sua jornada olhando eficiência de rotas, consumo de combustível, emissões, manutenção preventiva, condições de trabalho de motoristas e terceiros, contratação local, tratamento de incidentes, gestão de dados e qualidade do serviço entregue. O grande erro aqui seria imaginar que serviço sustentável se resume a “compensar carbono”. A norma é muito mais ampla.

9. Boas práticas para se preparar

As empresas que saírem na frente tendem a seguir um roteiro parecido:

Escolher um piloto comercialmente relevante
Comece por um produto ou serviço que tenha apelo real de mercado — não por aquele que parece mais fácil no papel.

Montar a matriz de verificação desde o início
A matriz da NBR 20250 deve ser a espinha dorsal do projeto, não um anexo de última hora.

Definir fronteiras de ciclo de vida com clareza
Sem unidade funcional, escopo de cadeia e critérios de aplicabilidade bem definidos, a empresa produz dado, mas não produz prova.

Integrar jurídico, compras, operação, RH, qualidade e ESG
O Selo não é um projeto de um departamento só.

Formalizar exigências para fornecedores críticos
Contrato, evidência, rastreabilidade e plano de melhoria precisam entrar na cadeia.

Conectar certificação à estratégia comercial
O valor real do Selo aparece quando ele influencia venda, acesso a mercados, narrativa de valor, financiamento e preferência de compra.

10. Por que isso é importante agora

O Programa Selo Verde Brasil nasce em um ecossistema de política pública que recolocou sustentabilidade no centro da competitividade industrial.

  • A Nova Indústria Brasil, lançada em 2024, estabeleceu metas até 2033 e tem uma missão específica voltada à bioeconomia, descarbonização, transição e segurança energéticas.
  • A Taxonomia Sustentável Brasileira foi instituída em 2025 como instrumento do Plano de Transformação Ecológica para classificar atividades, ativos e projetos sustentáveis com critérios técnicos objetivos.
  • O Plano Nacional de Economia Circular 2025–2034 prevê explicitamente o desenvolvimento de critérios de circularidade dentro do Programa Selo Verde Brasil.

Isso mostra que o programa não é uma iniciativa isolada: ele está conectado à política industrial, à agenda climática, à economia circular e à infraestrutura de finanças sustentáveis do país.

Para as empresas, o efeito prático é enorme. Quem se preparar cedo ganha vantagem em quatro frentes:

  • Acesso a compradores com critérios mais rígidos.
  • Maior capacidade de responder a exigências de rastreabilidade e sustentabilidade.
  • Melhor posição em cadeias que buscam descarbonização e circularidade.
  • Geração de evidências úteis para financiadores, investidores, clientes e órgãos públicos.

11. Relação com Nova Indústria Brasil e outras políticas

O Programa Selo Verde Brasil é um pilar explícito da Nova Indústria Brasil (NIB) e da estratégia de transformação ecológica do governo federal.

Em resumo, quem é quem nesse ecossistema:

Instrumento

Foco

Para quem

Nova Indústria Brasil

Política industrial e financiamento verde

Indústria, BNDES, Finep

Plano de Transformação Ecológica

Guarda-chuva macro de clima, natureza e finanças

Governo, mercado financeiro

Taxonomia Sustentável Brasileira

Classifica atividades econômicas sustentáveis

Bancos, fundos, investidores

Selo Verde Brasil

Certifica produtos e serviços sustentáveis

Empresas, compradores, governo

NBR 20250

Base técnica normativa do Selo

Todas as empresas

12. Integração com Taxonomia Sustentável Brasileira e MRV

A Taxonomia Sustentável Brasileira classifica atividades econômicas, ativos financeiros e projetos de investimento com base em critérios técnicos e objetivos. O Sistema de MRV da TSB foi desenhado para produzir informações confiáveis sobre fluxos de finanças sustentáveis, com foco em transparência, integridade e visão de longo prazo.

A relação com o Selo Verde Brasil é direta, mas não confusa:

  • A TSB classifica a atividade.
  • O Selo qualifica o produto ou serviço.
  • O MRV estrutura a informação e a verificabilidade dos fluxos e resultados.

Para o mercado brasileiro, essa combinação pode se tornar um padrão poderoso: atividade alinhada à taxonomia, produto certificado e informação rastreável para compradores, financiadores e investidores.

13. Conexão com ESG, GRI, IFRS S1/S2, ABNT PR 2030 e Taxonomia

A NBR 20250 não substitui frameworks de gestão ou relato. Ela complementa. A própria bibliografia da norma dialoga com referências como ABNT PR 2030, ISO 14001, ISO 20400, ISO 26000, ISO 50001, ISO 45001 e ISO 59004, mostrando sua vocação de conversar com sistemas de gestão já existentes e com a agenda mais ampla de ESG.

No campo do relato, a conexão é muito clara:

  • Os GRI Universal Standards (GRI 1, GRI 2 e GRI 3) organizam fundamentos, divulgações gerais e temas materiais.
  • IFRS S1 e S2 tratam da divulgação de riscos e oportunidades relacionados à sustentabilidade e ao clima, com vigência para períodos anuais iniciados em ou após 1º de janeiro de 2024.
  • No Brasil, a Resolução CVM 193 disciplina a elaboração e divulgação do relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade com base no padrão ISSB.

O que isso significa na prática? Que a empresa que se prepara bem para o Selo Verde Brasil passa a gerar evidências muito úteis para outras agendas: materialidade, due diligence, relato de impactos, disclosure para investidores, gestão de riscos e conexão com finanças sustentáveis. O Selo opera no nível do produto ou serviço; GRI, ISSB e ABNT PR 2030 ampliam isso para o nível organizacional e de reporte. Uma coisa fortalece a outra.

14. Relação com os ODS

Os ODS mais diretamente conectados ao Programa Selo Verde Brasil:

  • ODS 8 — Trabalho decente e crescimento econômico: direitos trabalhistas, condições de trabalho, renda, desenvolvimento local e inclusão produtiva.
  • ODS 9 — Indústria, inovação e infraestrutura: ligação direta com neoindustrialização, competitividade e inovação limpa.
  • ODS 12 — Consumo e produção responsáveis: lógica de ciclo de vida, circularidade, qualidade e rastreabilidade.
  • ODS 13 — Ação climática: ênfase em emissões, energia e descarbonização.
  • ODS 15 — Vida terrestre: presença explícita de biodiversidade e prevenção de impactos sobre vegetação e recursos naturais.
  • ODS 16 — Paz, justiça e instituições eficazes: força dada a compliance, canais de denúncia, integridade e transparência.

15. Como o Legacy 3 e o L3 Selo Verde Brasil se inserem

No contexto do Legacy 3, o Programa Selo Verde Brasil não deve ser tratado como um projeto isolado de certificação, mas como uma avenida prática de transformação ESG e posicionamento competitivo.

L3 Materialidade

Ajuda a selecionar os temas realmente críticos para o produto ou serviço, conectando dupla materialidade à jornada de certificação e priorizando clima, circularidade, recursos naturais, trabalho decente, cadeia de valor e riscos regulatórios.

L3 Compass

Transforma a NBR 20250 e as normas setoriais em metas, indicadores, responsáveis, planos de ação e trilhas de prontidão, reduzindo a distância entre requisito normativo e execução operacional.

L3 Selo Verde Brasil

Opera a jornada completa de readiness: diagnóstico, leitura normativa, matriz de verificação, rastreabilidade, indicadores, preparação documental, alinhamento com Taxonomia e MRV e tradução comercial do Selo para acesso a mercado, capital e reputação.

16. Conclusão estratégica

O Programa Selo Verde Brasil tem potencial para se tornar um divisor de águas no mercado brasileiro por um motivo simples: ele traz a sustentabilidade para o terreno da prova técnica. Não basta mais dizer que o produto é verde, circular, ético ou de baixo impacto. Será cada vez mais necessário demonstrar isso com critérios, documentos, métricas, rastreabilidade e verificação independente.

A NBR 20250 é decisiva porque organiza esse raciocínio de forma abrangente. Ela não reduz sustentabilidade a carbono. Ela combina ambiente, direitos humanos, trabalho, economia, desenvolvimento local, conformidade, qualidade, integridade e decisão empresarial. É justamente por isso que este tema interessa a CEOs, diretores industriais, líderes de ESG, suprimentos, qualidade, jurídico, finanças e comercial ao mesmo tempo.

Para o mercado brasileiro, a mensagem é clara: o Selo Verde Brasil não é uma tendência distante. Ele já entrou em implementação normativa, já possui governança formalizada e já começou a descer para setores concretos. As empresas que entenderem isso agora terão mais tempo para construir vantagem real. As que esperarem pela exigência pronta tendem a entrar atrasadas e mais caras.

Perguntas Frequentes sobre o Programa Selo Verde Brasil

O que é o Programa Selo Verde Brasil?

O Programa Selo Verde Brasil é uma política federal instituída pelo Decreto nº 12.063/2024, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Seu objetivo é criar diretrizes nacionais para a normalização e certificação de produtos e serviços que comprovadamente atendam a requisitos de sustentabilidade definidos em normas técnicas brasileiras. Na prática, é a referência oficial do país para identificar o que é, de fato, um produto ou serviço sustentável.

Qualquer empresa — de pequeno, médio ou grande porte — que atue nos setores primário (agro, pesca, floresta), secundário (indústria) ou terciário (serviços) pode buscar o Selo Verde Brasil, desde que o produto ou serviço cumpra os requisitos mínimos de sustentabilidade definidos nas normas técnicas ABNT aplicáveis ao seu segmento. Micro e pequenas empresas (MPMEs) contam com apoio técnico do Sebrae e da ABDI para se preparar para a certificação.

Não. A certificação é voluntária: a empresa escolhe buscar o Selo para determinado produto ou serviço. No entanto, a tendência do mercado aponta que, progressivamente, o Selo se tornará um requisito de facto em licitações públicas, cadeias de fornecimento de grandes empresas e acesso a linhas de crédito com melhores condições. Antecipar-se à certificação é, portanto, uma vantagem competitiva relevante.

A base técnica do Programa Selo Verde Brasil é a ABNT NBR 20250:2026, publicada em janeiro de 2026. Ela estabelece as diretrizes gerais de sustentabilidade para produtos e serviços, estruturadas em três eixos: minimizar impactos negativos e maximizar impactos positivos nas dimensões ambiental, social e econômica; adotar visão de ciclo de vida completo do produto; e integrar governança, conformidade e gestão de riscos ESG. A partir dela, serão desenvolvidas normas específicas para cada setor ou tipo de produto.

São instrumentos complementares, mas com focos distintos:

  • A Taxonomia Sustentável Brasileira classifica atividades econômicas (agro, energia, indústria, serviços financeiros etc.) pela sua contribuição a objetivos ambientais, climáticos e socioeconômicos. É voltada principalmente para o sistema financeiro: orienta crédito, investimento e reporte ESG.
  • O Selo Verde Brasil rotula produtos e serviços específicos com base em desempenho sustentável ao longo do ciclo de vida, verificado por organismos de certificação acreditados. É voltado principalmente para o mercado de produtos, compras públicas e cadeias de suprimento.

Na visão ESG mais completa, os dois se somam: atividades alinhadas à Taxonomia geram produtos certificados pelo Selo, todos monitorados e reportados via Sistema de MRV da TSB.

O Decreto foi publicado em junho de 2024 e a norma base ABNT NBR 20250:2026 foi publicada em janeiro de 2026. A implementação do Programa — com as primeiras certificações efetivas — está prevista para até junho de 2026, começando pelos dois produtos escolhidos para liderar o lançamento: chapas laminadas de alumínio e polímeros de eteno renovável (plástico verde). Normas específicas para outros setores serão desenvolvidas progressivamente.

O caminho recomendado passa por quatro etapas:

  1. Diagnóstico de ciclo de vida: mapear o produto ou serviço e seus impactos ambientais, sociais e econômicos, da matéria-prima ao descarte.
  2. Adequação técnica: ajustar design, processos e cadeia de fornecedores para atender às normas ABNT aplicáveis ao segmento.
  3. Gestão e rastreabilidade: implementar sistemas de monitoramento, indicadores e trilhas de evidência auditáveis.
  4. Certificação: contratar organismo de avaliação da conformidade acreditado pelo Inmetro para verificação e, se aprovado, obter o direito de uso do Selo.

O processo pode ser feito de forma incremental, começando por um produto piloto e escalando gradualmente para o portfólio.

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